As tarifas do Canadá e o aumento dos custos de materiais e combustível estão pressionando os negócios de lagosta do Maine, tornando a política comercial uma questão econômica central na disputa pelo Senado do estado em 2026. Em 22 de outubro, a senadora republicana Susan Collins, que busca a reeleição, e o desafiante democrata Troy Jackson se opunham às tarifas sobre produtos canadenses, mas discordavam sobre se Collins havia feito o suficiente para proteger as empresas do estado.

Principais conclusões

  • A Brooks Trap Mill afirma que as tarifas retaliatórias do Canadá praticamente interromperam seus embarques de armadilhas para lagosta através da fronteira.
  • Os custos mais altos de insumos relacionados ao aço e as despesas com diesel estão aumentando a pressão, embora a lagosta em si tenha escapado da retaliação canadense.
  • Collins destaca as isenções tarifárias negociadas, enquanto Jackson argumenta que o Congresso deveria ter impedido as tarifas.

Índice

Tarifas do Canadá atingem vendas transfronteiriças de armadilhas

O Maine envia mais de 40% de suas exportações para o Canadá, o que deixa o estado particularmente exposto a interrupções no comércio transfronteiriço. Para as empresas que fornecem produtos à indústria da lagosta, a pressão vem tanto da perda de vendas quanto do encarecimento dos materiais.

Mark Brooks, que administra a Brooks Trap Mill com seus irmãos, afirmou que a tarifa retaliatória de 50% imposta pelo Canadá às armadilhas para lagosta dos EUA, em setembro de 2026, fez os embarques da empresa para o Canadá praticamente desaparecerem da noite para o dia.

"Este é basicamente o pior ambiente de negócios que já vi em 40 anos", disse Brooks. Ele afirmou que a empresa absorveu o máximo possível do aumento dos custos para manter os preços cobrados dos clientes sob controle.

A distinção entre a lagosta e os equipamentos usados para capturá-la é importante. Ottawa deixou a lagosta de fora de sua lista de retaliação, mas essa exclusão não protegeu os fabricantes de armadilhas nem eliminou o aumento das despesas enfrentadas pelos pescadores.

ItemDetalhes
Embarques habituais da Brooks Trap Mill para o CanadáCerca de US$ 2 milhões por ano antes do colapso relatado
Preço de venda de uma armadilha para lagostaUS$ 180 em outubro de 2026, ante US$ 130 dois anos antes
Preços do diesel no MaineAlta de 67% no ano anterior, segundo a AAA

Custos do aço e do combustível agravam a pressão

A proclamação de junho de 2025 sobre tarifas de aço e alumínio elevou de 25% para 50% as tarifas de importação aplicáveis nos EUA, com vigência a partir de 4 de junho de 2025 e tratamento diferenciado para o Reino Unido. Essa decisão estabelece o aumento anterior da tarifa sobre o aço, e não o regime tarifário completo em vigor em outubro de 2026.

Brooks afirmou que seu fornecedor nacional de tela de arame aumentou os preços em 20% na mesma semana em que Trump impôs as tarifas de 50% sobre o aço. Sua experiência mostra como uma empresa que compra de um fornecedor nacional ainda pode enfrentar custos mais altos, ao mesmo tempo que lida com restrições às importações.

Brooks também afirmou que a alta dos preços do diesel levou à cobrança de sobretaxas de frete e à desaceleração das vendas, à medida que os pescadores de lagosta reduziram seus gastos. Os pescadores enfrentam pressão adicional devido à corda importada da Índia e à isca, em grande parte proveniente da Europa, ambas encarecidas pelas tarifas e pelos custos de combustível.

"Tudo o que fazemos neste negócio custa mais caro agora", disse Steve Train, pescador de lagosta que trabalha na baía de Casco. "Essas guerras tarifárias não estão nos ajudando."

Collins e Jackson divergem sobre o valor das isenções

Collins se opôs às tarifas do governo e obteve isenções para itens como concreto, pasta de madeira e sal rodoviário. Sua campanha também afirma que suas conversas com o embaixador do Canadá ajudaram a garantir a exclusão da lagosta e dos frutos do mar da retaliação.

No debate de 13 de outubro, Collins argumentou que os dois candidatos teriam se oposto às tarifas canadenses, mas que ela havia proporcionado alívio ao negociar as exclusões. Jackson rejeitou esse critério de sucesso: "Não deveríamos estar em uma guerra comercial com o Canadá."

A insatisfação econômica dá peso eleitoral à disputa. Mais de 90% dos eleitores prováveis do Maine consultados em uma pesquisa da Universidade Suffolk em outubro avaliaram a economia do estado como regular ou ruim.

Ainda assim, opor-se às tarifas não significa necessariamente opor-se a Collins. Train, eleitor independente registrado, disse que responsabiliza Trump pelas medidas comerciais, mas pretende votar em Collins por causa do apoio dela à indústria da lagosta.

Conclusão

A eleição para o Senado de novembro de 2026 testará se os eleitores do Maine atribuem a Collins o mérito por obter as isenções ou se favorecem o argumento de Jackson de que as tarifas deveriam ter sido impedidas. Para as empresas afetadas, a questão imediata continua sendo a combinação de interrupções nas vendas para o Canadá e custos operacionais mais altos.

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